É DURO

é duro. treinar quando não apetece, quando a cabeça não quer, quando atropelamos a nossa rotina (sobretudo a do meu amor maior), qu...


é duro.
treinar quando não apetece, quando a cabeça não quer, quando atropelamos a nossa rotina (sobretudo a do meu amor maior), quando tenho dores nos joelhos e sei que muitas vezes o exercício lhes faz mal, mas que é um mal necessário.
quando sabemos que correr está a fazer mal ao nosso corpo. quando aparecem dores novas e há que encontrar formas de as controlar. quando nos custa levantar e andamos como o robocop.
é duro.
levantar muito cedo para correr, especialmente quando não me consigo deitar a horas.
tomar banho de água fria, ou melhor, por as pernas em imersão em água fria. por gelo nos joelhos a seguir a cada treino.
perder (ganhar) para aí uma meia hora a seguir a cada corrida com o rolo de libertação mio-fascial e a bola…
orientar a alimentação em função dos treinos.
aguentar uma descarga intestinal durante um treino (sim, isso aconteceu-me na preparação para a corrida com o pai e quase que me traumatizou e também horas antes da prova).
é duro.
e às vezes desmotiva, e quase que sinto aproximarem-se as palavras “mas porquê é que tem de ser tão difícil?”, que rapidamente afasto. é desnecessário e há que aceitar as coisas como são.
e assim foi a preparação para a corrida com o pai. com sofrimento.
é duro mas o pior foi quando quinze dias antes recomecei o treino específico e não consegui executar uma tarefa super simples: fazer 4 km em meia hora.
e no dia seguinte nem 2,5 km aguentei.
mas o que é que se passa comigo, perguntei eu, aflita, à pessoa que sabe o que está a fazer? fisicamente estás bem, disse, a tua cabeça é que não (e tive de ouvir um raspanete…).
a verdade é que de facto andava perdida, a travar batalhas dentro de mim mesma e comigo mesma, algumas ganhas, outras ainda em vias de…
mas não desisti.
e lutei, e quebrei a “maldição”, também com a ajuda do meu preguiçoso e errático companheiro de corrida que consigo arrastar comigo de longe a longe e que nessa manhã foi importante para não parar das primeiras vezes em que pensei que não ia conseguir …
e treinei a sério.
e fiz um tempo brutal na corrida: 10 km em 59:57.
ainda não acredito que sou capaz (parece que só eu é que não acredito, segundo me dizem…), e tenho de mudar isso.
é duro.
é duro, sim. mas definitivamente salva-me. de mim. das minhas dores.  
é duro. mas definitivamente vale a pena.

   

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