a vida não pára # coisas em que ando a pensar

há alturas em que parece que a vida pára. em que nos puxa o tapete. em que parece que só nos resta sobreviver. cresci entre emergên...

há alturas em que parece que a vida pára.
em que nos puxa o tapete.
em que parece que só nos resta sobreviver.
cresci entre emergências. graves. não minhas, mas dos meus. que vivi sempre como se minhas fossem.
e habituei-me a ouvir e a pensar, quando isto passar vou cuidar de mim, vou fazer isto ou aquilo...
e estava errada.
há alturas em que parece que a vida pára mesmo. mas só por segundos. porque logo a seguir ela segue o seu curso.
e esse tempo em que ficamos paralisados pela preocupação e sofrimento, não volta. e aquilo que não fizemos então, não vamos poder voltar a fazer.
enganamo-nos a pensar que essa emergência não volta, por isso não há mal nenhum em suspender as coisas.
não.
a vida gosta de nos pôr à prova.
e a minha faz disso um hobby.
e por isso mesmo, se há momentos em que não podemos deixar de cuidar de nós (mesmo quando só nos apetece cuidar do outro), é mesmo nesses.
é preciso aprender a viver também nas emergências.
fiz isso por instinto há muitos anos atrás. e fui criticada.
criticada por viver, enquanto perto, tão perto de mim, se lutava contra a morte.
e deixei de o fazer.
olho agora para trás e vejo o quão parva fui.
porque  se há alturas em que temos de forçar a vida, são mesmo essas.
em que não apetece.
em que só o refúgio parece a única hipótese de ganhar ar, de ganhar um pouco de vida. refúgio nos momentos em que não estamos a viver as emergências. 
mas é precisamente nessas alturas, como a que vivo agora, em que tenho de ir correr. de ir treinar. de sair.
mesmo quando não apetece.
porque a vida parece que pára, mas não.
e é preciso vivê-la.



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