a melhor versão de mim
12:28
quando corro,
especialmente numa prova, renasço, floresço.
é muito engraçado,
é como se passasse de larva para borboleta.
mesmo.
nos dias anteriores
fico sempre ansiosa. mais do que o costume.
com a comida, com o
treino, com a roupa, a viagem, o percurso, sei lá.
com tudo o que me
lembro e também muito com o que não me lembro mas acho que devia. que
precisamente por ser importante estou a esquecer-me.
é assim a
ansiedade...
penso sempre, pelo
menos uma vez, em não ir.
e nesta última
prova não foi diferente.
ainda foi pior.
por questões
familiares tenho andado sob muita pressão.
o que tem afetado
tudo: os treinos, a alimentação (ai os chocolates...).
desta vez estive só
na véspera da corrida.
só eu e a minha
ansiedade. e confesso que tive um pouco de medo.
medo de não
conseguir lidar bem com ela.
mas não. surpreendentemente
controlei-a e pensei: vai correr tudo bem e vai valer a pena.
e claro que valeu.
a superação.
o controlo que
consegui ter em alguns momentos (apesar do atribulado da coisa que depois
conto).
a partilha (ainda
que muito menos do que gostaria).
dada a partida, a
ansiedade deu lugar à alegria.
ao esforço. à quase
sobrevivência do corpo. à luta para dar mais um passo, e mais outro...
fiquei leve, aquilo
que mais persigo ultimamente.
fiquei muito
próxima do que sou, das minhas emoções.
e é muito difícil
conseguir obter isto numa qualquer outra circunstância.
por isso já estou a
pensar na próxima prova.
dizem que estou
viciada...
e se estiver?

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