uma lesão que não é lesão que é pior do que lesão

quando comecei a correr, senti logo uma dor no joelho direito que já me era familiar há muitos anos. fui consultar um médico que me...



quando comecei a correr, senti logo uma dor no joelho direito que já me era familiar há muitos anos.
fui consultar um médico que me confirmou o diagnóstico da pessoa que sabia o que estava a fazer no meu treino: não tinha pernas para correr, ou seja, tinha joelhos valgos, um palavrão que me foi explicado “em português” como sendo perna em “x”, os joelhos que se juntam, o que faz com que o peso do corpo incida sobre eles, com o desgaste que se adivinha, e que por isso me “comiam” os músculos.
ora durante a corrida, os músculos são responsáveis por absorver parte do impacto, portanto, quanto menos força muscular tiver, maior será a sobrecarga nas articulações.
o plano foi, fisioterapia no início e muito treino de perna para criar músculos (ia dizer fortalecer, mas dado que eles quase não existem, o termo é mesmo este.
e assim fui fazendo.
a certa altura, a dor desapareceu, e a corrida foi melhorando.
a 9 de novembro corri os meus primeiros 10 km, um momento difícil de esquecer, coroado com a minha primeira corrida a 27 de dezembro, uma das melhores experiências da minha vida.
o ano começou com o joelho a queixar-se um bocado, e a pessoa que sabe o que está a fazer, a chatear-me: Sara, gelo/descanso/gelo/descanso/gelo/descanso/gelo/descanso/gelo...
e eu cada vez a ficar mais ansiosa, já com medo de não voltar a conseguir.
fiz batota uma vez e quase “às escondidas” fui correr 7 km no treino da Nike Run Club no Porto, e senti-me bem, mas nos dias seguintes, o chato do joelho voltou a dar sinal.
para piorar o cenário, fui consultar uma osteopata que me disse a mesmíssima coisa que o médico, o treinador e o fisioterapeuta, com a agravante de que não queria que corresse mais de 5km pelo menos nesta fase, uma maratona nem pensar, e pior de tudo, todo o trabalho muscular dos últimos sete meses ainda não tinha produzido efeito (o que, segundo ela, é normal pois demora muito tempo), pelo que é fácil de perceber o quão frustrada fiquei.
felizmente tive “autorização” para correr 5km nessa semana, o que me deixou super feliz, o que tenho repetido uma ou duas vezes por semana.
Comecei então a fazer um “joelho report” onde anoto todos os dias como me tenho sentido e apesar de ter melhorado do joelho problemático, comecei a sentir qualquer coisa no outro.
para além disso, e sobretudo depois de um treino de crossfit onde saltei muitas vezes para uma caixa (ainda pequena), ficou-me a doer a parte de trás dos joelhos, ainda que nada de mais, mas o que me preocupa porque ainda sinto um bocado (e que pelos vistos se deve à hiper extensão por, para grande surpresa, falta de músculo).
enfim, está visto que este caminho não vai ser fácil (não é que o achasse), mas pelo menos vai ser bem mais difícil do que pensava e se calhar vou ter de baixar as minhas expectativas, ou seja, meia maratona este ano... vai ser difícil.
só não quero é desmoralizar, porque se por um lado não quero prejudicar o meu corpo, por outro não quero mesmo deixar de correr. 
quando não corro fico pior; parece que estou a perder parte do que quero ser; posso melhorar dos joelhos, mas do resto... 
digo que não é lesão e que é pior do que lesão por ser um problema estrutural, que requer trabalho constante de força (agoroa vou começar  com pilates, já que toda a ajuda é pouca...), e que enquanto quiser correr e estar saudável tenho de fazer...

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