Tu e eu
15:29
Trato-te por tu
como nunca o fiz. Não por falta de intimidade, não por falta de amor. Por
convenção. Agora parece-me que é a forma certa de te sentir. De te escrever.
Na celebração que
te dedicámos, da forma como estranhamente sei que gostarias que o fizéssemos,
não consegui sentir-me grata por te ter tido.
Por ainda te ter,
mas de forma diferente.
No caminho que
tenho percorrido na descoberta de mim mesma tenho-me vindo a aperceber de como
o teu papel foi mesmo fundamental para o que sou.
Sempre admirei o
facto de nós sermos tudo para ti. Sermos a tua vida. Sermos o que eras.
Confesso que às
vezes tinha pena que não fosses mais.
Seja lá isso o que for.
Agora percebo, pai.
Percebo que tiveste
de o ser.
Foste pai e mãe
quando era preciso.
Foste tudo quando tudo
o resto fraquejava.
E abraçaste esses
papéis, mesmo os que não eram teus.
Fizeste-o teus.
Mesmo quando não
era suposto um homem da tua geração desempenhá-los.
Mas fizeste-o.
Sem mágoa, sem
amargura.
Ainda me custa ter
saudades tuas.
Faz para o próximo
mês oito anos que me deixaste e ainda me custa.
Custa-me olhar para
a minha vida sem ti. E até para a minha vida contigo.
0 comentários