Tu e eu

Fazias hoje 78 anos. Trato-te por tu como nunca o fiz. Não por falta de intimidade, não por falta de amor. Por convenção. Agora pare...




Fazias hoje 78 anos.
Trato-te por tu como nunca o fiz. Não por falta de intimidade, não por falta de amor. Por convenção. Agora parece-me que é a forma certa de te sentir. De te escrever.
Na celebração que te dedicámos, da forma como estranhamente sei que gostarias que o fizéssemos, não consegui sentir-me grata por te ter tido.
Por ainda te ter, mas de forma diferente.
No caminho que tenho percorrido na descoberta de mim mesma tenho-me vindo a aperceber de como o teu papel foi mesmo fundamental para o que sou.
Sempre admirei o facto de nós sermos tudo para ti. Sermos a tua vida. Sermos o que eras.
Confesso que às vezes tinha pena que não fosses mais.
Seja lá isso o que for.
Agora percebo, pai.
Percebo que tiveste de o ser.
Foste pai e mãe quando era preciso.
Foste tudo quando tudo o resto fraquejava.
E abraçaste esses papéis, mesmo os que não eram teus.
Fizeste-o teus.
Mesmo quando não era suposto um homem da tua geração desempenhá-los.
Mas fizeste-o.
Sem mágoa, sem amargura.
Ainda me custa ter saudades tuas.
Faz para o próximo mês oito anos que me deixaste e ainda me custa.
Custa-me olhar para a minha vida sem ti. E até para a minha vida contigo.

  

You Might Also Like

0 comentários

Flickr Images